Estudantes utilizam o jogo Minecraft para auxiliar no aprendizado


Com tantas distrações modernas dentro e fora de sala de aula, atrair a atenção dos alunos para o conteúdo escolar se tornou um desafio crescente para professores. Um projeto do Centro de Educação Nery Lacerda, escola particular de Sobradinho, no Distrito Federal, driblou essa concorrência usando o superpopular “Minecraft”, espécie de Lego virtual, para despertar o interesse de alunos do 6° e 7° anos nas aulas de História.

No ano passado, a iniciativa, que será discutida durante o encontro Educação 360, em setembro, foi uma das ganhadoras do desafio Criativos da Escola, projeto do Instituto Alana que recompensa ideias protagonizadas por estudantes e focadas na transformação da sua realidade.

— O protagonismo e o trabalho coletivo dos alunos são o grande destaque desse projeto. Tem muita gente estudando a educação e apontando novos caminhos, é um momento de mudança importante. Projetos como esse mostram que essa mudança também vem de dentro da escola — conta Carolina Pasquali, diretora de comunicação do Instituto Alana e coordenadora do Criativos da Escola, que está com inscrições abertas pelo site www.criativosdaescola.com.br. — O objetivo do Criativos é justamente saber o que está acontecendo nas escolas, divulgar esses projetos e conectá-los em rede.


'MUDOU A ESCOLA'

As notas baixas e o grande número de alunos dos 6° e 7° anos de recuperação em História motivaram o professor Jefferson Prado a partir para o diálogo com os estudantes. Foi assim que o “Minecraft” entrou em cena. Ou melhor, em sala.

— Fiz a provocação para saber como seria uma boa aula, e um dos alunos brincou que queria mesmo era jogar “Minecraft”. Outros estudantes compraram a ideia e se propuseram a provar que poderia funcionar. Eles passaram as férias viabilizando isso. O primeiro obstáculo foi a resistência do adulto de ver a criança como protagonista do conhecimento. O segundo, foi organizar. A gente coloca problema demais em tudo, para eles é muito simples. Para cada negativa minha ou da escola, eles tinham resposta — lembra Prado.

Durante o resto do ano letivo, os alunos do 6° ano ficaram responsáveis pela construção de parte da cidade de Roma, e os do 7° ano, pelos engenhos de cana de açúcar do século XVI. Ambos os grupos seguindo o conteúdo passado pelo professor em sala de aula. Os estudantes receberam tarefas como projetar os cenários, construí-los e reportar os avanços ao professor. A cada duas aulas teóricas, o conteúdo era tirado do papel e levado para o universo do game. Depois de um semestre, eles conseguiram zerar a lista de alunos em recuperação.

PUBLICIDADE

— O projeto é deles, eu só faço parte. Quando você confia no aluno e entrega parte da organização para ele, percebe que não precisa fazer tudo. Falar que ganhar o desafio da Criativos mudou a minha vida é pouco. Mudou a escola — diz o professor Prado. — Não sei quanto tempo o “Minecraft” vai durar em sala de aula, mas o que ficou do projeto foi a lição de ouvir para construir. O professor não é detentor do conhecimento, não tem nada que eu fale em sala que eles não encontrem on-line. Se eu quiser continuar em sala, preciso entrar na linguagem do aluno, sem preconceitos. O professor é um ser em eterna construção.

APRENDIZADO COM DIVERSÃO

Hugo Leonardo de Moraes Filho, de 13 anos, foi um dos alunos responsáveis pela construção de um engenho de cana de açúcar. Ele melhorou seu desempenho em História e, na medida em que a atividade era desenvolvida, ficou mais enturmado com os outros.

— Foi uma maneira mais divertida de aprender a matéria. Trabalhamos mais em grupo do que só com o professor explicando. Então, pudemos nos conhecer melhor. Tivemos que aprender e pesquisar muito sobre o conteúdo para conseguir colocar no jogo. As pesquisas e imagens fizeram a gente lembrar mais do conteúdo. E foi mais fácil fazer a prova — garante o estudante.




Fonte: O globo

Comentários

Postagens mais visitadas