segunda-feira, 10 de outubro de 2016

5 Pontos essenciais ao escolher uma franquia

Com o objetivo de ajudar empreendedores a identificarem boas franquias, a Associação Brasileira de Franchising (ABF) oferece, durante a ABF Franchising Expo, um curso de capacitação gratuito chamado "Etapas essenciais para escolher uma franquia". A aula, com duração de duas horas, ensina aos participantes o que são as franquias e como eles devem se preparar na hora de conversar com o representante de uma franqueadora.

"Existe uma série de perguntas complexas que o interessado em comprar uma franquia deve fazer antes de tomar qualquer decisão”, diz Angelina Stockler, sócia da consultoria de varejo e franquias ba}STOCKLER. Veja abaixo cinco pontos essenciais que todo empreendedor deve se atentar para escolher uma boa franquia.



1. Entenda o tripé do franchising
Segundo Angelina, o primeiro passo que o empreendedor deve fazer é compreender o franchising como um sistema de agentes que dependem um do outro e têm os mesmos objetivos: fortalecer a marca e ter lucro mútuo. A consultora explica que, para o sucesso desse sistema, existem três importantes pilares: a marca, o território definido e o sucesso do negócio. Dessa maneira, o empreendedor deve cuidar para tirar todas as suas dúvidas referentes a esses três itens.

Em relação à marca, você deve se perguntar se tem afinidade com o produto ou serviço vendido pela empresa. "E afinidade não significa apenas gostar do produto. Não é porque eu gosto de sapatos, por exemplo, que vou comprar uma franquia de calçados. É preciso que o empreendedor consiga se ver realizando as atividades que o negócio irá exigir, como ir até o estoque buscar calçados para os clientes experimentarem", diz.

Sobre o território definido, é essencial que o empreendedor questione o nível de experiência que a franqueadora tem com o modelo oferecido. "Se a franqueadora oferece um modelo de quiosque em shopping, por exemplo, deve-se perguntar quantos quiosques ela já tem operando. Se forem muitos, a estratégia já está consolidada, mas, se forem poucos, ou até mesmo nenhum, será que o empreendedor estará confortável em ser a cobaia desse novo modelo de franquia?", diz.

A respeito do sucesso do negócio, Angelina relaciona esse fator com o conjunto de conhecimentos estratégicos – também conhecido como "know-how" – que a empresa possui. Quanto melhor for o desempenho da empresa no mercado, mais credibilidade ela tem em relação aos seus processos, que serão adotados pelo empreendedor quando se tornar um franqueado.

2. Entenda o perfil que a franqueadora procura
Para ter sua própria franquia, é preciso ter um perfil empreendedor. Capacidade de liderança e noções financeiras fazem a diferença, mas, também é importante saber qual é o perfil que a franqueadora procura.

Cada tipo de negócio tem seu tipo ideal. "Uma loja de rua, por exemplo, precisa de uma pessoa muito ativa, que chame as pessoas para dentro. Já uma loja de shopping exige uma pessoa mais organizada, que saiba lidar com todas as exigências do ambiente. É obrigação da franqueadora definir o perfil do franqueado, e todo empreendedor deve perguntar sobre isso. A boa franqueadora sempre tem essa resposta", diz.

Entenda também a dedicação necessária para o sucesso do negócio. Existem franquias que abrem aos finais de semana e feriados, e, sendo assim, você deve se perguntar se está pronto para trabalhar nesses dias. Segundo Angelina, há vários formatos diferentes de franquias no mercado, desde as que abrem todos os dias até aquelas em que o empreendedor pode confiar a operação a um gerente. Portanto, cabe ao empreendedor perguntar a franqueadora como será seu trabalho diário no negócio.

3. Veja o número de unidades e desempenho passado
Não é difícil conseguir da franqueadora informações sobre o número de unidades ativas. Mas, o empreendedor também deve se preocupar com o passado da empresa. "Vamos supor que uma franquia tenha 40 unidades. À primeira vista, ela passa credibilidade, pois parece ser uma marca forte no mercado. Só que, e se nós puxarmos o passado e descobrirmos que, há dois anos, ela tinha 120 unidades? Aí, a coisa já muda", diz Angelina.

Saber o desempenho que a franquia tem atualmente no mercado, assim como já teve no passado, é passo importante na hora de decidir pela compra de uma unidade. "Um empreendedor deve buscar apenas negócios que correspondam a suas expectativas de retorno financeiro, pois o investimento só irá valer a pena se a taxa de retorno for maior que as oferecidas pelos bancos", afirma Angelina. De acordo com ela, atualmente, uma boa taxa de retorno em franquias está entre 2% e 2,5% ao mês.

4. A franqueadora oferece suporte?
Enquanto conversa com o representante da franqueadora, o empreendedor deve perguntar todos os detalhes referentes ao suporte que a empresa dá a seus franqueados. "Qual o suporte na implantação? A franquia tem fornecedores cadastrados? Quanto tempo o produto demora para chegar à loja? Há um programa contínuo de treinamento ou eu ficarei sem cursos depois de alguns meses? Essas são perguntas que o empreendedor deve fazer ", diz Angelina.

A forma como a franqueadora faz seus atendimentos aos franqueados também deve ser questionada. É essencial que o empreendedor pergunte pelo número de consultores, suas formações acadêmicas e quantas vezes eles irão visitá-lo no primeiro ano da franquia – que, segundo a consultora, é o mais crítico e exige maior atenção.

5. Pergunte pelo plano de negócios
Um dos principais fatores que o empreendedor deve avaliar é a capacidade financeira que a marca exige. É preciso calcular o dinheiro necessário para pagar as contas pessoais e, a partir desse valor, verificar o montante disponível para investimento. "Com esse valor calculado, o empreendedor, na hora da conversa, deve perguntar à franqueadora qual a capacidade financeira necessária para o negócio", afirma.

Angelina diz que a melhor maneira de fazer essa análise é pedindo o plano de negócio da franqueadora. Esse documento, normalmente, traz a previsão de cinco anos de operação da franquia.

Assim, é importante que o empreendedor avalie o plano com cautela, com bastante atenção ao prazo médio de retorno, à taxa de franquias e aos royalties. "Para cada item do documento, cabem perguntas. Sobre a taxa de franquia, por exemplo, existem dúvidas que não podem ficar em aberto. Será que nela já está incluído o projeto arquitetônico da loja, os manuais de operação e os treinamentos? Normalmente, esses itens são sim pagos na taxa de franquia, mas é preciso perguntar sempre", diz.

Sobre os royalties, Angelina explica que existem franquias com taxas fixas, enquanto outras cobram taxas que variam com o faturamento, e há até negócios que não fazem a cobrança. Qual é o melhor modelo? "Aquele que resultar em mais dinheiro para o franqueado no final do mês", responde a consultora. E, para isso, é preciso que o empreendedor faça suas próprias contas.

Com o plano de negócios em mãos, o interessado deve voltar para casa e fazer seus cálculos com calma e precisão. Embora o documento seja detalhado, recomenda-se que ele verifique até que ponto aqueles dados estão precisos, e isso pode ser feito entrando em contato com franqueados da marca que já atuam no mercado. "Eu aconselho que o empreendedor ligue para uma boa parte dos franqueados e busque perfis diferentes. O ideal é conversar com os mais antigos, os mais novos, com os mais distantes da franqueadora e também os mais os próximos. Cada um irá dar uma visão diferente da empresa", explica.

Com os dados dos franqueados em mãos, o empreendedor poderá fazer seus próprios cálculos. "E, se no fim sobrarem dúvidas, não feche nada. Faça apenas negócios se tiver certeza", diz.

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